O relatório “Bancando a Extinção”, divulgado pelo Greenpeace Brasil, trouxe à tona uma preocupante realidade: o financiamento de atividades de desmatamento e outras irregularidades socioambientais na Amazônia por bancos nacionais e internacionais, inclusive utilizando recursos da população brasileira.
A investigação, que analisou a concessão de crédito rural na região amazônica entre 2018 e 2022, revelou múltiplos casos de fazendas que obtiveram crédito mesmo com histórico de descumprimento das regras ambientais e sociais. Entre as irregularidades encontradas estão desmatamento ilegal, indícios de grilagem de terras, sobreposição com áreas protegidas e produção irregular de gado.
Os dados levantados indicam que mais de R$ 43 milhões foram emprestados para áreas problemáticas, onde foram identificadas diversas violações das normas ambientais, como sobreposição com Unidades de Conservação, Terras Indígenas e florestas públicas não destinadas. Além disso, foram encontradas 798 propriedades financiadas mesmo com embargo do Ibama e mais de 29 mil propriedades com desmatamento recente.
Cristiane Mazzetti, do Greenpeace Brasil, ressaltou a necessidade de uma maior atenção por parte do sistema financeiro para evitar que recursos sejam destinados a atividades que promovem a destruição da floresta e contribuem para a emergência climática e a crise da biodiversidade. Mazzetti destacou ainda a importância de regulamentar e monitorar de forma mais rigorosa a concessão de crédito rural, garantindo que os recursos não cheguem a áreas com irregularidades socioambientais.
O relatório apresentou 12 estudos de casos, incluindo a fazenda Arizona, no Acre, que obteve crédito mesmo com desmatamento ilegal. Esses casos evidenciam lacunas nas normas atuais e a necessidade de mudanças para garantir a proteção da Amazônia e de seus habitantes.
Além disso, o relatório alertou para o papel dos bancos estrangeiros, que também estão injetando dinheiro em empresas envolvidas em atividades de desmatamento na região. A urgência de medidas para combater o desmatamento e proteger os ecossistemas naturais foi enfatizada, destacando a importância de reformas estruturais para direcionar os recursos financeiros para atividades sustentáveis.
Diante desse cenário alarmante, o Greenpeace lançou a campanha “Bancando a Extinção”, exigindo mudanças imediatas no sistema financeiro para interromper o financiamento de atividades de desmatamento na Amazônia e em outros ecossistemas naturais. A campanha destaca a necessidade de fechar a torneira de recursos para quem promove a destruição da natureza, começando pelo crédito rural, mas não se limitando a ele.
(informações Greenpeace Brasil)






















