Um tiktoker do Mato Grosso está transformando a destruição da Amazônia e de territórios indígenas em moeda de audiência nas redes sociais. Em dezenas de vídeos, que somam milhões de visualizações, ele se apresenta como especialista no corte de madeira, exibindo com orgulho toras gigantescas de árvores nativas e posando diante de espécimes centenárias recém-derrubadas. O pano de fundo, e muitas vezes o próprio palco de seus conteúdos, é a Terra Indígena Sararé, território tradicional localizado na região noroeste do estado, assolada pelo avanço do desmatamento e do garimpo ilegal.
A investigação exclusiva do site de noticias eh fonte 3 Biomas mapeou dezenas de publicações do perfil, que não apenas celebra a atividade madeireira, mas também fornece indícios de sua localização, facilitando a identificação da área invadida. Em um dos vídeos mais impactantes, o influenciador aparece ao lado de um trator de grande porte, queimado e destruído. Ele narra o “resgate” do maquinário, afirmando que este havia sido incendiado durante uma operação de fiscalização das forças de segurança contra garimpo ilegal na região. A ação, que poderia configurar obstrução de investigação ou tentativa de apagar provas, é tratada como uma aventura heroica para seus seguidores.
A fama virtual, no entanto, já cruzou o caminho da fiscalização federal. O Ibama confirmou à reportagem que o tiktoker já foi autuado por infrações ambientais relacionadas às atividades mostradas. Os agentes identificaram a retirada ilegal de madeira nativa. Apesar da multa e dos procedimentos administrativos instaurados, o influenciador segue produzindo conteúdo semelhante.
Especialistas ouvidos pela reportagem do NovidadesMT alertam para o perigo desse tipo de conteúdo. “Há uma banalização do crime ambiental em busca de engajamento. Esses vídeos não apenas registram ilícitos, mas os glamourizam, criando um efeito de imitação e normalizando a invasão de terras protegidas como um estilo de vida aventureiro e lucrativo”.
O caso exemplifica uma tendência perversa nas redes sociais: a corrida por seguidores e visualizações que transforma crimes ambientais concretos em espetáculo digital. Enquanto plataformas como o TikTok lutam para moderar conteúdos sensíveis, criadores na fronteira do ilegal encontram nas falhas do sistema e no moroso processo de fiscalização física uma brecha para lucrar com a destruição, um like de cada vez.
Com informações ehfonte



















