No intervalo de um ano, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (UB), viu sua avaliação despencar 17 pontos percentuais, saindo de 81,1%, em agosto de 2023, para 64% de aprovação popular, segundo levantamento divulgado no último final de semana.
A pesquisa de 2023 foi divulgada pelo Instituto Veritá, de Uberlândia (MG), e assim como agora foi tratada nacionalmente como o “Ranking dos Governadores”, sendo na época amplamente propagada pela Secretaria de Comunicação de Mendes, já que o gestor conseguiu a 3ª colocação entre os 27.
O levantamento mais atual é da AtlasIntel, que já havia feito pesquisa do tipo em dezembro de 2023, quando Mauro marcou 60% de aprovação e conseguiu a oitava colocação nacional entre os gestores. Com quatro pontos percentuais, perdeu apenas para o piauiense, Rafael Fonteles (PT), e o goiano, Ronaldo Caiado (UB).
O ‘absolutismo’ de Mauro em Mato Grosso, quando passou por um período praticamente sem oposição na Assembleia Legislativa de Mato Grosso – ALMT, durante o primeiro mandato (2019 à 2022), vem perdendo pilastras e fazendo a estrutura que tinha sua volta rachar.
Não só na classe política, mas sobretudo na imprensa, alimentada pelo investimento feito pelo Palácio Paiaguás com seguidas campanhas institucionais, praticamente não se via críticas contundentes contra a gestão estadual e quem ousava fazer era tratado como criminoso.
Acontece que o grupo político que se formou no entorno de Mauro ficou tão grande que, naturalmente, assim que chegaram novos pleitos eleitorais, foi praticamente impossível atender todos os interesses e os rompimentos começaram a se acumular, o que acaba também por ter reflexos nas ruas.
Lideranças que sempre souberam coisas nada agradáveis sobre gestão, mas que nunca haviam falado em virtude do acordo partidário, começaram a abrir a boca e isso, ao chegar nos ouvidos do cidadão, naturalmente traz reflexos negativos contra Mendes.
O primeiro grande rompimento foi com Carlos Fávaro (PSD) e Neri Geller (PP), em 2022. Mesmo sem os dois, o governador se reelegeu e começou o novo mandato ainda amplamente blindado, o que talvez explique os números da Veritá.
Todavia, episódios recentes, onde o Governo do Estado decidiu pesar a mão sobre o parlamento, em virtude de conflitos de interesses de curto e médio prazo, alguns já vislumbrando 2026, têm colocado o gestor em rota de colisão com aliados e, coincidentemente, escândalos sobre a gestão – que parecia tema proibido de 2019 à 2022 – começaram a ganhar manchetes.
O maior dos casos envolve a famigerada “Mulher da Ses”, uma servidora que teria ligação direta com a alta cúpula do Governo do Estado e que atuaria como facilitadora, dentro da Secretaria Estadual de Saúde, de acordo com o que vem sendo divulgado nos termos da Operação Espelho, da Polícia Civil, para a instalação de um cartel que abocanhou várias dezenas de milhões de reais em contratos, em plena pandemia. O assunto volta e meia é reavivado pelo fantasma de uma propagada CPI.
O governador ainda teve de conviver com os desgastes pessoais por notícias atreladas ao seu jovem filho, Luis Antônio Taveira Mendes, que após um crescimento estrondoso no mundo dos negócios, depois que o pai virou governador, acabou como um dos investigados pela Polícia Federal, mediante a acusação de fazer parte de um grupo que financiava o comércio clandestino de mercúrio ilegal a garimpos por todo o estado.
Por pouco, mas por muito pouco mesmo, mais precisamente por decisão monocrática da juiza Raquel Coelho Dal Rio Silveira, de Campinas (SP), Luis não acabou atrás das grades, já que a Polícia Federal queria isso e pediu a prisão temporária. O novo momento ainda já obrigou o governador a ter de responder questionamentos sobre o uso da aeronave oficial e outras questões polêmicas que não estava acostumado a prestar contas.
O governador usou uma aeronave da Secretaria Estadual de Saúde no ano passado – comprada com a justificativa de reforço da frota de UTI Aérea para o socorro de cidadãos em meio à pandemia de covid-19, em 2020 – para ir no aniversário de 90 anos do fundador da JBS, festa de arromba organizada pelos filhos do magnata, os irmãos Joesley e Wesley Batista, os mesmos que foram presos no curso da Lava Jato, acusados de diversos esquemas de corrupção na gestão do PT.
O caso foi denunciado pelo deputado federal, Emanuel Pinheiro Neto (MDB), junto ao Ministério Público de Mato Grosso, dentre vários outros que lá estão. Porém, embora esteja perdendo força na classe política e até em setores mais independentes da imprensa, o governador parece contar com mais sorte no Parquet, onde deve passar praticamente ileso nos oito anos de governo.
Outro ponto que começa a pesar contra a gestão é a Segurança Pública. Mato Grosso é o estado mais violento do Centro-Oeste, segundo números oficiais, cidades como Sorriso são líderes nacionais de homicídios e crimes sexuais contra mulheres e não se observa medidas efetivas do estado para coibir o avanço do poder de facções criminosas, que já dominam diversas regiões.



















