Ausência silenciosa de vereadora durante projeto que atinge marido, secretário de Esportes, expõe fissuras na base do prefeito Abilio Brunini e gera clima de crise interna.

Vereadora deixa votação que reduz poder de secretário, seu marido

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Em uma cena que não passou despercebida no plenário da Câmara Municipal de Cuiabá, a vereadora Michelly Alencar (União Brasil), considerada uma das aliadas mais próximas do prefeito Abilio Brunini (PL), levantou-se e deixou a sala no momento exato da votação de um projeto de autoria do próprio chefe do Executivo. A proposta, que unifica as Secretarias de Educação, Esporte e Lazer, e Cultura, é estratégica para a administração, mas toca diretamente em um ponto sensível da vida da parlamentar: o seu núcleo familiar.

No centro da polêmica está a centralização da gestão orçamentária na Secretaria de Educação, comandada por Amauri Monge. Na prática, a medida esvaziaria o poder e a autonomia das pastas de Esporte e Cultura. Um dos atingidos de forma mais direta seria o atual secretário de Esportes, Jefferson Neves, que é marido da vereadora Michelly.

A ausência de Michelly no momento da decisão foi interpretada nos corredores da Câmara como um gesto político calculado – silencioso, mas extremamente ruidoso. Enquanto aliados do prefeito trabalhavam para articular os votos necessários, a parlamentar optou por se retirar, sem se justificar publicamente. Internamente, a leitura é unânime: a proposta cria um conflito insustentável entre sua lealdade ao prefeito e a defesa dos interesses do seu companheiro.

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O mal-estar, porém, não se restringe ao plenário. De acordo com apuração, os três secretários titulares das pastas envolvidas já manifestaram insatisfação com a proposta de fusão. Uma reunião com o prefeito Abilio Brunini está agendada para esta terça-feira (2), onde poderão ser discutidas alterações no texto ou, em um cenário mais grave, a possibilidade de saídas dos cargos – o que abriria uma crise interna de proporções significativas na gestão.

O projeto tem como argumento oficial a “otimização de recursos e racionalização administrativa”, prometendo economia aos cofres públicos. No entanto, o novo desenho concederia plenos poderes ao secretário de Educação, concentrando orçamento, planejamento e tomada de decisões sob um único comando. Especialistas e próprios servidores questionam a eficiência de gerir de forma conjunta áreas com identidades, demandas e necessidades tão distintas.

Com a votação adiada e a pressão aumentando nos bastidores, o projeto de fusão das secretarias deixa de ser uma mera reforma administrativa e se transforma em um verdadeiro teste de fogo. Ele medirá a resistência e a coesão não apenas da base do prefeito na Câmara, mas também a solidez do seu primeiro escalão de governo. Os olhos podem não ter visto o voto, mas os bastidores explicam o grito de descontentamento.

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