Em declaração dada na última terça-feira (30), o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que moradores do Contorno Leste que participaram de um protesto com queima de pneus serão excluídos da lista de beneficiários de um futuro lote urbanizado da Prefeitura.
A DECISÃO
Ao classificar os manifestantes como “vândalos”, Brunini justificou a medida:
“Não vamos ceder áreas a vândalos. Quando você queima pneu, você danifica o asfalto, prejudica a cidade e atrapalha a população. Não vamos apoiar esse tipo de atitude.”
O QUESTIONAMENTO
A postura do prefeito, no entanto, levanta um questionamento sobre a coerência de seu discurso. Enquanto se mostra rigoroso com protestos por moradia na periferia, Brunini integra o mesmo partido (PL) que defende anistia para os envolvidos nas invasões de 8 de janeiro de 2023 em Brasília — atos estes que resultaram em extensa depredação do patrimônio público dos Três Poderes.
A DUPLA MEDIDA
A fala do gestor expõe uma contradição palpável: qual a diferença fundamental entre os atos? Na visão do prefeito, queimar pneus em busca de moradia parece ser um crime irremediável, enquanto destruir sedes do poder nacional é tratado por seus aliados como “defesa da pátria” ou “ato de liberdade”.
O RECADO SUBTEXTO
A situação escancara a lógica seletiva que permeia parte do debate público: para alguns, a aplicação inflexível da lei; para outros, o apelo ao perdão e à compreensão.
Na matemática política de Abilio, parece que queimar pneus na periferia é crime imperdoável, mas quebrar as vidraças do Supremo é “ato de liberdade”. Um discurso que escancara o velho ditado: para uns, a lei; para outros, o perdão.




















