CAOS NA SAÚDE DO ESTADO

Operação Panaceia expondo o colapso da Saúde de Mato Grosso: A ponta do iceberg de irregularidades

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A Operação Panaceia, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (06), no Hospital Regional de Cáceres, revelou apenas a ponta do iceberg que representa o colapso da Saúde em Mato Grosso. A investigação, que trouxe à tona um esquema de irregularidades envolvendo a administração de hospitais e recursos públicos, evidencia um quadro muito mais amplo de problemas que já são amplamente noticiados há anos.

Desde a crescente gestão de hospitais regionais por Organizações Sociais (OCIPs), com suspeitas de má administração e desvio de recursos, até os alarmantes casos de mortes em curto espaço de tempo de recém-nascidos na UTI do Hospital Regional de  Colíder, a situação da Saúde no estado é desoladora. Profissionais da saúde têm pedido a intervenção de órgãos competentes para evitar o colapso total, como no caso do Hospital Regional de Sorriso. Esses episódios, que passam despercebidos por muitos, são apenas o reflexo de uma gestão pública que falhou em sua missão de cuidar da saúde da população.

Essa nova operação, no entanto, traz consigo a esperança de que, finalmente, algumas dessas irregularidades sejam investigadas e que os responsáveis por elas sejam punidos. Mas, como já aconteceu em outras ocasiões, a dúvida persiste: será que esta operação não vai terminar em mais uma “pizza”? Considerando a presença de recursos federais, as expectativas são altas. Em 2021, durante a Operação Espelho, o governador Mauro Mendes minimizou as acusações, alegando que os recursos estaduais eram os únicos envolvidos no esquema de corrupção da pandemia. Naquela ocasião, o governador insistiu que os policiais civis, que conduziam a investigação, teriam encontrado qualquer irregularidade caso envolvesse verba federal.

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Entretanto, as declarações de Mendes caíram por terra quando, sob pressão, o secretário de Saúde, Gilberto Figueiredo, acabou admitindo que recursos federais estavam, de fato, envolvidos nos esquemas de corrupção. Agora, a “Mulher da SES” — uma figura-chave na Secretaria de Estado de Saúde — volta a ser mencionada no centro das investigações. A pergunta que fica é: o que os gestores estaduais, tão celebrados pela sua suposta competência, realmente sabiam sobre os escândalos de corrupção que marcaram a administração da saúde pública em Mato Grosso?

É difícil acreditar que tanto o secretário de Saúde quanto o governo estadual, tão firmes em seu discurso anticorrupção, não tenham percebido nada ao longo desses anos. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) passou ilesa pela Operação Espelho, que escancarou a corrupção durante a pandemia de Covid-19 — um episódio marcado por cenas grotescas como o médico zombando da situação e afirmando que precisava “laçar” pessoas nas ruas para preencher as UTIs. Se o governo realmente tivesse agido com a seriedade que a situação exige, talvez o cenário da Saúde no estado não fosse tão alarmante.

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Com a Operação Panaceia, a população de Mato Grosso espera que as investigações se aprofundem e que, finalmente, os responsáveis por este desmonte da saúde pública sejam responsabilizados. O que se espera, mais do que nunca, é que o final dessa história não seja mais um capítulo de impunidade.

 

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