Dono da pizzaria que virou site, Rubens Alves trabalhou no gabinete de José Medeiros (PL)

De pizza a notícia: empresa que nunca vendeu massa fatura R$ 341 mil com gabinete de Medeiros

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O negócio começou vendendo pizza. Terminou vendendo notícia. No meio do caminho, o desembargador Dirceu dos Santos, entrou na sociedade — e R$ 341,3 mil do gabinete do deputado federal José Medeiros (PL) saíram dos cofres públicos para pagar a empresa. A história envolve o magistrado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), afastado recentemente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sob suspeita de enriquecimento ilícito.

Documentos obtidos pelo VGN na Junta Comercial de Mato Grosso (Jucemat) revelam a trajetória da M S Comércio de Pizzas e Massas Pré-Assadas Ltda, conhecida como Leve Pizza. A empresa foi aberta em 2018 por Rubens Alves da Silva e Renato Pinto de Matos, com endereço na avenida Historiador Rubens de Mendonça, bairro Morada da Serra, em Cuiabá.

O objeto social registrado incluía fornecimento de alimentos preparados, fabricação de pratos prontos e comércio de produtos alimentícios. Mas não há registro de atividade comercial efetiva.

Em junho de 2019, a empresa passou por alteração societária. Renato Pinto de Matos saiu, abrindo espaço para a entrada do desembargador Dirceu dos Santos e de sua esposa, Carla Patrícia Monteiro dos Santos.

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De acordo com os registros, as cotas de Renato foram transferidas para Carla Patrícia, no valor de R$ 102 mil. Já o sócio Rubens Alves da Silva manteve participação na empresa, mas transferiu R$ 88 mil em cotas ao desembargador Dirceu.

Com isso, o capital social passou a ser de R$ 200 mil. Os documentos também indicam que a administração da empresa ficou sob responsabilidade de Carla Patrícia.

De pizzaria a portal de notícias

Em junho de 2023, a empresa foi transformada na MTPRESS Comunicação e Publicidade Ltda, responsável pelo site MT Press — sem jamais ter funcionado como pizzaria. O portal tem como diretor-geral Rubens Alves, que já atuou como assessor do deputado federal José Medeiros (PL).

Dados do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados indicam que a empresa recebeu R$ 341,3 mil do gabinete de Medeiros entre julho de 2023 e fevereiro deste ano, por serviços de comunicação. Os pagamentos variaram entre R$ 8,9 mil e R$ 13,5 mil mensais. Desde junho de 2024, o valor mensal passou a ser de R$ 13,5 mil.

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Desembargador afastado

O desembargador Dirceu dos Santos foi afastado do cargo no dia 2 de março, por decisão da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ). A medida ocorreu após investigação apontar movimentação patrimonial de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos — valor considerado incompatível com os rendimentos oficiais do magistrado. As apurações indicam suspeita de recebimento de vantagens indevidas, com participação de empresários e advogados.

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