O prefeito Abilio Brunini (PL), que costuma se apresentar como símbolo da honestidade, da direita e do discurso de “Deus, pátria e família”, conseguiu mais uma vitória na Câmara de Cuiabá. Dois pedidos de CPI que poderiam investigar suspeitas na Educação foram arquivados com ajuda da base governista. A decisão chama atenção justamente pelo contraste entre o discurso e a prática. Se Abilio não tem nada a esconder, por que sua base trabalha para impedir investigações? Um gestor que se diz o “mais honesto” deveria ser o primeiro interessado em abrir as portas da administração para provar que não há irregularidades. As CPIs miravam suspeitas de prejuízo de R$ 80 milhões na gestão de Amauri Monge, ex-secretário de Educação, e apurações envolvendo suposta ligação do ex-chefe de gabinete do prefeito, William Leite de Campos, com os casos investigados. Os dois já não fazem mais parte da administração municipal. No fim, o bolsonarista que prega transparência, moralidade e combate à velha política viu sua base agir como a velha política sempre agiu: enterrando investigação antes mesmo de ela começar. Para quem chegou ao poder prometendo romper com tudo isso, a blindagem tem gosto amargo e discurso difícil de engolir.


















